OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 2 de abril de 2024

SE O SER HUMANO NÃO DUVIDASSE, NÃO PROGREDIRIA

"A predominância da matéria perante nossos olhos, na forma de objetos e seres, impede que percebamos completamente a verdade. Mas é quando duvidamos da primazia da matéria que a existência de Deus se estabelece. Se a matéria, que é um conglomerado de átomos, é tudo o que existe, então como essas partículas invisíveis formaram um parlamento que criou e governa um universo organizado? É impossível que átomos inanimados viessem a se reunir para produzir seres inteligentes. Então a aceitação de Deus, uma Consciência Inteligente como criadora do mundo, foi estabelecida a partir do materialismo aplicando-se o elemento construtivo e progressivo da dúvida. Este elemento construtivo é a corrente científica do pensamento usada no questionamento para descobrir a verdade. Sem isso, se meramente aceitássemos as coisas como parecem ser, os seres humanos seriam como animais. Algumas civilizações antigas acreditavam que o Sol, a Lua e as estrelas eram divindades que governavam a vida. Pelo processo da dúvida o ser humano ultrapassou esse conceito. Por meio do questionamento construtivo, esse tipo de crença foi considerado falho. Se o ser humano não pudesse duvidar, não poderia progredir; o mundo estaria atolado na ignorância. Se não questionassemos, não conseguiríamos diferenciar da verdade a teoria ou os argumentos falaciosos. É pois correto aplicar as leis da razão. 

A dúvida decide uma hipótese. Os cientistas pegam um teorema e o investigam juntamente com a Sra. Dúvida, a examinadora sempre presente. Nada é tido como certo. A proposta é levada a uma conclusão, para ver se funciona ou não. Se não funcionar, é posta de lado ou reestruturada. Se os cientistas ficassem satisfeitos com o status quo do conhecimento, não haveria adiantamento na civilização. Há uma grande lição aqui.

No que diz respeito à religião, os cientistas deveriam empregar, no elemento construtivo da dúvida, a mesma abertura como que realizam as pesquisas científicas. Por um tempo longo demais a ciência se fechou no elemento destrutivo da dúvida, desprezando a religião como dogma supersticioso. Se o objetivo dos operários da construção civil fosse apenas demolir todos os prédios defeituosos, e não reconstruí-los nem substituí-los com estrutura aperfeiçoada, seria um desastre. O mesmo ocorre com os que querem dispensar a moralidade e a religião, não deixando nenhuma estrutura para abrigar os princípios divinos que podem se provar essenciais ao bem-estar e à felicidade da existência humana. É claro que até o elemento destrutivo da dúvida pode ser necessário para nos livrar de erros há muito sustentados; mas o processo será prejudicial para a humanidade se também obliterar a verdade."... (continua)

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 303/304.
Imagem: Perintest.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

BHAKTI YOGA

"Bhakti yoga é a via para o homem de natureza emocional, o amoroso. Ele quer amar a Deus; usa, confiante, toda sorte de rituais, flores, incenso, belos templos e ícones. Você acha que isso é errado? Pois devo dizer-lhe algo que convém lembrar aqui neste país: os maiores gigantes espirituais do mundo foram, todos, produzidos pelas seitas religiosas que possuem a mais rica mitologia e ritualística. Todas as seitas que tentaram cultuar Deus sem imagens ou cerimônias esmagaram sem misericórdia tudo o que a religião tem de belo e sublime. Uma religião assim é fanatismo; na melhor das hipóteses, resulta em algo árido. A história do mundo é testemunha viva desse fato. Por isso, não deprecie os rituais e mitologias. Aceite que o povo os tenha; deixe que quem quiser os use. Não exiba aquele desprezível sorriso de escárnio ao dizer, - São uns ignorantes, deixe para lá. - Os mais eminentes homens que conheci em minha vida, aqueles que alcançaram o mais maravilhoso desenvolvimento espiritual, todos passaram pela disciplina desses rituais. Bhakti yoga ensina a amar sem motivos ulteriores, amando a Deus e ao bem porque é bom fazê-lo e não para ir para o céu, ter filhos, riqueza, ou qualquer outra coisa. Ensina que o amor em si é a mais alta recompensa do amor - que Deus é amor. Ensina a prestar todos os tipos de louvores a Deus como Criador, Governante onipresente, onisciente, onipotente, Pai e Mãe."

(Swami Vivekananda - O Que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 39)
Imagem: Pinterest.


quinta-feira, 29 de setembro de 2022

LIBERDADE E MORAL

"Proíba-se e liberte sua alma - assim disseram as religiões. Mas como ser livre andando nos trilhos do permitido e proibido? É como sentir dor e ter que sorrir ao mesmo tempo. Tomar o remédio amargo em vida em troca do néctar após a morte. Mas e se tudo acabar com a morte? 'Largue isso', disseram alguns filósofos; 'religião é opressão'. E muita gente acreditou.

Depois dessa suposta libertação, perguntemos a nós mesmos, mas sejamos honestos: realmente estamos livres? Pense comigo: o que é ser livre? É fazer o que se quer? Por exemplo, se eu precisar de atendimento médico e for a um hospital, e todos lá fizerem só o que quiserem, talvez ninguém queira me atender. Então volto a perguntar: é possível sentir-se livre em uma sociedade assim?

Você pode me dizer: posso fazer só o que quero e livremente serei solidário e farei o bem. Mas quem garante que o outro fará? E o bem que cada um faz, ou pensa que faz, é bom na opinião de quem? Então precisamos de leis, baseadas em um consenso, e, como as leis não podem regular tudo, precisamos de ética, prescrições morais. Assim, voltamos às religiões.

Podemos andar em círculos, da moral, da religião, para a quebra dos padrões de conduta, e depois voltar, sucessivamente. Ou podemos procurar outra via. Se você tem um filho, por exemplo, o qual você ama, diga-me: você o trata bem para cumprir a legislação ou um código de ética, ou porque o bem-estar dele repercute no seu próprio bem-estar? A maioria das pessoas vai responder que é sensível às condições dos filhos e parentes, mas talvez nem todas elas tenham a mesma sensibilidade com a situação dos 'outros'. Na verdade, todos nós queremos viver onde os outros estão bem, mas não nos damos conta disso. Quando estamos distraídos com o nosso próprio sofrimento, não vemos nada, mas quando estamos felizes, percebemos que a nossa alegria não consegue se expandir quando os próximos estão tristes. Se somos ricos, nos sentimos ameaçados com a falta de segurança, e então desejamos morar em um país onde todos são prósperos. No entanto, não refletimos. sobre isso. Somos capazes de sentir fome, portanto sabemos que precisamos comer, mesmo não havendo normas que tornem a alimentação obrigatória. Mas como não percebemos o quanto as condições dos outros nos afetam, não sentimos que precisamos do bem dos outros; assim, precisamos de códigos de conduta para o convívio em sociedade. Pois o nosso sentimento de unidade com o resto da vida ainda não está desenvolvido como a fome. Porque temos consciência do corpo, mas não temos consciência do verdadeiro Eu.

Para refletirmos sobre a liberdade, Rohit Mehta, em seus comentários aos Yoga Sutras de Patanjali (Yoga. a Arte da Integração, Ed. Teosófica), faz uma distinção entre o esforço humano e a expressão espontânea da experiência espiritual. Ele diz: 'Neste ponto o Yoga difere completamente da vida considerada no sentido do empenho moral ou religioso. Em uma vida religiosa, construída sob princípios morais, o esforço humano é o começo e a finalidade.' Por outro lado, ele afirma: 'O homem espiritual possui uma moralidade de natureza elevada e profunda. É natural e espontânea. Não é uma moralidade onde o pensamento busca ser traduzido em ação. Ao invés disso, é uma moralidade que se encontra na natureza de uma expressão da experiência profundamente sentida.'

A reflexão de Mehta mostra que a moral social, mesmo sendo necessária, é provisória e pode tornar-se mecânica e opressiva quando não é oxigenada como um caminho que leva a uma experiência real do ser espiritual, o verdadeiro Eu. Nesse caminho, as regras servem como o mapa da viagem e nos indicam a direção, mas não nos prendem em sua forma, e o seu conteúdo se atualiza e se aprofunda conforme crescemos em consciência ao nos aproximarmos do Ser. Segundo a visão do Yoga, as pessoas são mais ou menos morais conforme mais espessa ou mais fina for a camada egóica que as separam de seu Eu espiritual. O propósito do Yoga é eliminar essa camada egóica, e a ética funciona como uma ferramenta para isso. Depois da realização do ser, no entanto, a moral espiritual é a expressão livre, natural e autêntica daquele que não fará mal ao outro porque sente que o outro é ele mesmo.

Enfim, a outra via do problema da moral é: conhece-te a ti mesmo. Pois o verdadeiro Eu é o Ser que habita todas as coisas; aquele que, por não querer ferir o seu eu, não será capaz de ferir ninguém, independentemente de regras externas. Da mesma forma isso se dá com o fazer o bem, e ilustra as palavras de Jesus, que se sentia uno com toda a criação: 'Todas as vezes que deixastes de fazer a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.'"

(Cristina Szynwelski - Liberdade e Moral - Revista Sophia, Ano 18, nº 86 - p. 22)
Imagem: Pinterest.


terça-feira, 6 de setembro de 2022

O SIMBOLISMO DO HÁBITO RELIGIOSO

"Como as práticas religiosas despertam o interesse de muitos que buscam a espiritualidade, pode ser proveitoso refletir sobre a vida dos religiosos. Sua fraternidade e caridade, suas austeridades, seus estudos, suas meditações e suas orações são exemplos de práticas espirituais vistas como importantes pelo público. Portanto, em adição ao interesse por tudo que envolve uma religião, sua doutrina, seus livros, seus símbolos e suas práticas, pode-se incluir o dia a dia do monge.

A veste comumente usada por um monge é conhecida como hábito religioso. O aspecto dessa roupa pode lembrar uma capa ou manto e contar com um capuz capaz de ocultar a cabeça. Há variações na forma e na cor da indumentária, sendo frequente. no Ocidente, o uso da cor preta. A despeito da diversidade do hábito, essas vestes em geral são reconhecidas facilmente como pertencentes a um religioso e à sua ordem ou escola monástica. Mas como o hábito, enquanto veste, pode nos inspirar?

O hábito religioso naturalmente impressiona tanto o próprio monge quanto o devoto, em diferentes graus e modos. A simples visão da indumentária sacerdotal pode evocar pensamentos e sentimentos salutares. A devoção a uma causa nobre, a vontade de melhorar enquanto ser humano, o impulso para a prática do bem e da caridade são apenas algumas metas que podem ser trazidas à mente me diante um cenário inspirador, que as vestes ali presentes ajudam a compor.

A força do indumentário, portanto, é sobretudo simbólica. É desse modo que a arte, as práticas, as cerimônias e os textos abordados no ambiente em que se busca a espiritualização se revestem de um caráter eminentemente místico, metafísico. Nesse sentido, o hábito religioso também pode ser fonte de reflexão. Assim sendo, pode-se listar ideias que emergem na meditação sobre as vestes típicas do monge ou monja.

A veste religiosa envolve o devoto, identificando-o, acolhendo-o. Assim como o tecido protege do frio, preservando o calor do corpo, o hábito simboliza a proteção da natureza espiritual presente em toda criatura. Assim como a proteção nasce da concretização dos atos virtuosos, nas ações, nos pensamentos e nos sentimentos, o hábito acompanha o monge em todos os seus movimentos, pois é sua própria roupagem. Logo, suas atitudes o protegem, tal como o hábito religioso.

A veste monástica induz à interiorização e a uma atitude inspirada. Sob seu abrigo, o ser é levado a olhar para si mesmo. Afinal, o tecido reduz o alcance do meio exterior sobre os olhos. 'Os olhos não se cansam de ver', diz Eclesiastes. E, é sabido, o autoconhecimento é a chave do aperfeiçoamento com vistas à espiritualidade. Essa necessidade do exercício da auto-observação como ferramenta de progresso pessoal tem sido enfatizada pelos mais diversos pensadores da causa humana. Simbolicamente, sugerem o uso de um hábito pessoal imaginário, que pode ser cultivado pela meditação.

O devoto que observa o sacerdote totalmente envolto em seu hábito religioso também é convidado à introspecção. Vendo as vestes marcadas pela simplicidade, sem fantasias, o fiel se concentra nas palavras e nos atos do monge. A discrição, exemplificada no respeitável manto, é impactante à vista, principalmente para os observadores que têm 'olhos de ver, no dizer bíblico. Mergulhando no hábito religioso, o ser mergulha em si mesmo para melhor reconhecer o divino nas outras pessoas.

Por fazer parte do contexto religioso, a roupa sacerdotal nos remete de modo reflexo à ideia de que essencialmente somos de natureza espiritual. É desse modo que a silhueta das vestes assume um caráter de aura extrafísica. Uma aura de reverência e respeito por algo. muito além do próprio monge, mas algo que é por ele representado. Assim como ele representa o além, nós mesmos nos projetamos no religioso e nele nos espelhamos; não numa personalidade, pois ela está oculta e anônima sob as vestes, mas num ideal ali imaginado.

O hábito religioso ofusca a personalidade, conferindo ao 'eu' um caráter universal e altruísta. Enfim, quem é o monge por baixo do capuz? Não se sabe, mas podemos deduzir o significado do conjunto. Abraçados pela manta, os monges se igualam perante a espiritualidade. De joelhos ou prostrados perante a natureza, nivelam-se ainda mais entre si. Renunciam aos holofotes e se tornam um todo coletivo. São indistinguíveis. Transmitem o mesmo ideal, porque o que se vê é o mesmo que se quer representar: uma vida maior que a personalidade e oculta à retina mundana. Nesse sentido, é um antidoto ao egoísmo e ao orgulho. É humilde e ponderado."

(Fernando Gaspar - O Simbolismo do Hábito Religioso - Revista Sophia, Ano 19, nº 97 - p. 35/36)
Imagem: Pinterest.


terça-feira, 28 de setembro de 2021

UMA ESPIRITUALIDADE VERDADEIRA

"O Nobre caminho Óctuplo de Buda traz sugestões práticas não apenas para elevação espiritual, mas também para se viver de maneira correta, criando uma sociedade coesa e não violenta e promovendo, assim, a espiritualidade. O primeiro passo é ter uma clara percepção da sociedade materialista e egoísta de hoje, com todos os seus deméritos e saber como se dissociar dela.

O segundo passo é a correta determinação. A pessoa deve ter um modo de vida não violento, não consumista e autocontrolado, aceitando dificuldades e inconveniências, inclusive a dor física que pode ocorrer no caminho.

O terceiro passo é falar a respeito disso sem medo. Os dois primeiros passos pertencem ao indivíduo. Compartilhá-los com o próximo é comunicar a sua visão e determinação por meio da correta linguagem. Se a pessoa não fala dos males da nossa sociedade, pode ser considerada cúmplice dela.

O quarto passo é consolidar e estabilizar o esforço. Não se deve permitir que a preguiça e a negligência detenham o esforço de viver corretamente.

O quinto passo, e o mais importante, é o correto viver. Essa é a ação básica de 'pular fora' e implica uma verdadeira compreensão individual da responsabilidade universal.

Atualmente é muito difícil buscar o viver correto e sem mácula. Os ensinamentos práticos de Gandhi sobre a autossuficiência e os princípios do autogoverno de uma aldeia são as únicas respostas ao atual modo de vida consumista.

O sexto passo é a correta atenção. No mundo de hoje, a violência e a desonestidade são a norma. Sem a correta atenção, a pessoa pode cair no fosso materialista sem se dar conta.

Os passos sete e oito, a correta concentração e a correta ação, são também essenciais para um modo de vida não violento. Se o Nobre Caminho Óctuplo for posto em prática, a pessoa pode se livrar de um sistema pernicioso e levar uma vida exemplar.

Para ter uma disposição espiritual ou religiosa e chegar a uma verdadeira transformação da mente, devemos pôr em prática as seguintes sugestões: 
  • Perceber os deméritos da civilização moderna e sua violência direta, indireta, estrutural e exploradora. Isso é correta visão.
  • Estarmos determinados a permanecer dissociados desse modo de vida ganancioso e egoísta, apesar das inconveniências e dificuldades. Isso é correta determinação.
  • Reduzir as necessidades ao nível mínimo e evitar qualquer desperdício de recursos. Gandhi disse que a Mãe Terra é capaz de satisfazer as necessidades de todos, mas não consegue satisfazer a ganância de um único indivíduo. Para salvar o planeta, devemos compreender as necessidades e negar a ganância.
  • Renunciar ao moderno paradigma de abundância. Isso inclui o uso dos meios de comunicação, viagens, computadores e outros males menores sem os quais a pessoa pode não se sentir capaz de atuar no mundo moderno.
  • Inovar a tecnologia, nos meios e nos métodos apropriados de consumo sustentável, senão a Terra pode não sobreviver.
  • Promover uma mente genuinamente espiritual, que seja capaz de transformar o indivíduo e, assim, o universo. Esta é a meta última da vida humana, e não envolve seguir qualquer tradição religiosa.  
Atualmente, mesmo as pessoas que alegam ser autoridades em tradições religiosas tornaram-se mundanas e vis, maculadas por emoções negativas. A prática de uma religião se tornou ritualizada e institucionalizada, razão por que Krishnamurti consistentemente rejeitava todas as tradições. Ele não rejeitava a essência da tradição, apenas a tradição prevalecente. É necessário compreender o que é uma mente verdadeiramente religiosa e o que é a verdadeira religião, livre de dogmas e rituais, tradições e linhagens. 

Krishnamurti resumiu a totalidade do ensinamento religioso da seguinte forma: 'A religião é algo que inclui tudo. Ela não é exclusiva. A mente religiosa não tem nacionalidade, não é provinciana, não pertence a um grupo particular. Não é o resultado de dois mil anos de propaganda, não tem dogma nem crença. É uma mente que se move do fato para o fato. É uma mente que compreende a qualidade total do pensamento, não apenas o pensamento óbvio, superficial, o pensamento educado, mas também o pensamento não educado, o profundo pensamento inconsciente e seus motivos. É uma mente que investiga a totalidade de algo, quando compreende o que é falso e o nega porque é falso. Então a totalidade da negação produz uma nova qualidade na mente que é religiosa, que é revolucionária.'"

(Samdhong Rinpoche - Uma cura para o planeta - Revista Sophia, Ano 13, nº 54 - p. 36)


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

COLONIZAÇÃO ECONÔMICA

"Se alguém acumula riqueza para consumir o que é desnecessário, ele retira essa riqueza daquilo que pertence a outros; portanto, nada mais é do que um ladrão. Mas, se uma pessoa é incapaz de acumular  riqueza segundo o modo moderno, ele não pode levar uma 'vida digna'. Uma pessoa assim é classificada entre aqueles que estão abaixo da linha de pobreza, que precisam de mais assistência, mais fundo de desenvolvimento e mais oportunidades de emprego. Portanto, mais empréstimos e mais know-how são necessários, segundo os termos determinados pelo Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização Mundial de Comércio e os governos das chamadas ' nações desenvolvidas'. Assim, as nações do Terceiro Mundo estarão sempre curvadas. O sistema econômico não apenas nos priva de nossa sabedoria e discriminação; rouba-nos também nossa dignidade e autorrespeito. 

Hoje, todos os sistemas geopolíticos e socioculturais são governados por um fator único, que é a economia de mercado. Outros ideais políticos e sociais, como democracia, direitos humanos, diversidade cultural e liberdade de consciência são meras palavras, destituídas de significado, usadas de maneira ornamental e metafórica e, se necessário, como simulacro de apoio. 

O colonialismo político chegou ao fim devido ao despertar dos povos sujeitos a essa dominação durante os últimos séculos. Atualmente essa prática foi substituída pela colonização econômica, que é muito mais perigosa. A ocupação política pode ser derrubada em pouco tempo, mas serão necessárias várias décadas ou séculos para se recuperar da dominação econômica - presumindo-se que haja uma chance de reconquistar essa liberdade. 

Como as prioridades econômicas suplantaram tudo o mais, o indivíduo se tornou egoísta, violento e destituído de fundação moral e ética. O moderno estilo de vida também destruiu as inclinações espirituais da maioria das pessoas. A essência da religião tem sido ignorada; as religiões e suas instituições têm sido usadas para fortalecer a intolerância e o conflito. A maioria das pessoas pensa que espiritualidade, moralidade e ética são empecilhos ao desenvolvimento material. Muitos dizem abertamente que 'religião é veneno' em termos de progresso. Uma pequena minoria pode não concordar totalmente com isso, mas diz mansamente que não há solução senão se submeter.

Na ausência de sabedoria e coragem para se opor ao mal, a pergunta natural é: 'O que podemos fazer?' Esta é uma pergunta muito importante. Seguindo o princípio de satyagraha de Gandhi, recomendo aos indivíduos que 'pulem fora' do moderno estilo de vida materialista, com seu consumismo excessivo e imoral, e compreendam qual é a sua responsabilidade com relação ao bem-estar universal. O macrouniverso é construído de microuniversos de indivíduos; o que quer que o indivíduo faça tem relevância e produz efeitos sobre o universo. Portanto, quando um indivíduo se dissocia do mal, um microuniverso desarmonizado pode se sintonizar. Assim, o planeta em mais chances de recobrar sua harmonia com o universo."

(Samdhong Rinpoche - Uma cura para o planeta - Revista Sophia, Ano 13, nº 54 - p. 34/35)


terça-feira, 20 de julho de 2021

O SERMÃO DA MONTANHA, BASE DA HARMONIA ESPIRITUAL

"Há séculos que as igrejas cristãs do Ocidente se acham divididas em partidos, e, não raro, se digladiam ferozmente - por causa de quê?

Por causa de determinados dogmas que elas identificam com a doutrina de Jesus - infalibilidade pontifícia, batismo, confissão, eucaristia, pecado original, redenção pelo sangue de Jesus, unicidade e infalibilidade da Bíblia, etc. 

No entanto, seria possível evitar todas essas polêmicas e controvérsias - bastaria que todos os setores do Cristianismo fizessem do Sermão da Montanha o seu credo único e universal. Essa mensagem suprema do Cristo não contém uma só palavra de colorido dogmático-teológico - o Sermão da Montanha é integralmente espiritual, cósmico, ou melhor, 'místico-ético'; não uma teoria que o homem deve 'crer', mas uma realidade que ele deve 'ser'. E neste plano não há dissidentes nem hereges. A mística é o 'primeiro e maior de todos os mandamentos', o amor de Deus; a ética é o 'segundo mandamento', o amor de nossos semelhantes. E, nesta base, é possível uma harmonia universal.

Quem é proclamado 'bem-aventurado' feliz? Quem é chamado 'filho de Deus'? Quem é que 'verá a Deus? De quem é o 'reino dos céus'?

Será de algum crente no dogma 'A', 'B' ou 'C'?

Será um adepto da teologia desta ou daquela igreja ou seita?

Será o partidário de um determinado credo eclesiástico?

Nem vestígio disto!

Os homens bem-aventurados, os cidadãos do reino dos céus, são os 'pobres de espírito', são os 'puros de coração', são os 'mansos', os que 'sofrem perseguição por causa da justiça', são os 'pacificadores', são os 'misericordiosos' e 'os que choram', são os que 'amam aos que os odeiam' e 'fazem bem aos que lhes fazem mal'.

No dia e na hora em que a cristandade resolver aposentar as suas teologias humanas e proclamar a divina sabedoria do Sermão da Montanha como credo único universal, acabarão todas as dissensões, guerras de religião e excomunhões de hereges e dissidentes.

Isto, naturalmente, supõe que esse documento máximo de espiritualidade, como Mahatma Gandhi lhe chama, seja experiencialmente vivido, e não apenas intelectualmente analisado.

A vivência espiritual é convergente e harmonizadora - a análise intelectual é divergente e desarmonizadora.

Se todos os livros religiosos da humanidade perecessem e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido. Nele se encontram o Oriente e o Ocidente, o Brahmanismo e o Cristianismo e a alma de todas as grandes religiões da humanidade, porque é a síntese da mística e da ética, que ultrapassa todas as filosofias e teologias meramente humanas. O que o Nazareno disse, nessa mensagem suprema do seu Evangelho, representa o patrimônio universal das religiões - seja o Kybalion de Hermes Trismegistos, do Egito, sejam os Vedas, Bhagavad-Gita ou o Tao Te Ching de Lao-Tse, do Oriente, sejam Pitágoras, Sócrates, Platão ou os Neroplatônicos, sejam São João da Cruz, Meister Eckhart Tolstoi, Tagore, Gandhi ou Schweitzer - todos convergem nesta mesma Verdade, assim como as linhas de uma pirâmide, distantes na base, se unem todas num único ponto, no vértice.

Se o Evangelho é o coração da Bíblia, o Sermão da Montanha é a alma do Evangelho."

(Rohden - O Sermão da Montanha - Ed. Martin Claret Ltda., São Paulo, 1997 - p. 17/19)


quinta-feira, 15 de julho de 2021

UMA SÓ RELIGIÃO

"Devemos sempre nos lembrar que todos os caminhos conduzem a Deus e que Sua atitude é de bondade e tolerância.

Qualquer um de nós tem todo o direito de gostar e de praticar a religião que quiser, até mesmo mais de uma se assim o desejarmos. Porém, devemos ter cuidado para que uma mistura de religiões não confunda nossa cabeça. O motivo é simples: as diferentes religiões apresentam algumas afirmações contraditórias entre si. Precisamos saber no que estamos acreditando. Estudar um pouco as religiões não é má ideia. As religiões são caminhos que nos levam a Deus e, assim sendo, qualquer caminho pode ser adequado desde que se escolha aquele que melhor alcança o nosso coração. O dramaturgo irlandês Bernard Shaw nos oferece um resumo preciso desta situação quando diz: 'Só existe uma religião, embora dela existam centenas de versões.'

Escolher uma religião depende de vários fatores, além dos propriamente religiosos. É importante, por exemplo, avaliar a qualidade da comunidade que se organiza em torno da prática religiosa. Convém também observar o tipo de vida que levam as pessoas que frequentam a religião, seu grau de alegria, felicidade e amor à vida. E deve-se estar atento aos dirigentes, pois eles são a melhor amostra da qualidade de seu grupo.

Para distinguir uma igreja séria de outra que estimula o fanatismo das pessoas basta observar se a preocupação de seus líderes é com a alegria e felicidade das pessoas ou com sexo e dinheiro. Vale a pena lembrar também que as boas igrejas são tolerantes com as diferentes crenças religiosas e não procuram se impor como a única certa e verdadeira. Devemos sempre nos lembrar que todos os caminhos conduzem a Deus e que Sua atitude é de bondade e tolerância.

A intolerância religiosa tem sido uma permanente causa de instabilidade social e de graves conflitos nos últimos três mil anos. Desde que pela primeira vez se estabeleceu a ideia de um Deus único e verdadeiro, se criou, ao mesmo tempo, a legitimação do direito de impor aos outros uma religião como sendo a melhor e a certa. Daí para as guerras religiosas foi um pequeno passo. Ninguém deve impor suas ideias aos outros, principalmente quando esta imposição é feita à força, pelos que detêm o poder."

(Luiz Alberto Py - Olhar Acima do Horizonte - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2002 - p. 149/150)




terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA EM RELIGIÃO

"Pratique religião todos os dias de sua vida. Aos domingos, você aprende a lei divina do perdão: se for golpeado na face esquerda, deve oferecer também a face direita. Mas você pratica isso na vida diária? Ou acha que é bobagem? Experimente. Quando você revida dando um tapa na outra pessoa, sente-se muito mal; é uma ação tão má quanto a do agressor. Raiva e amargura afetam não só a mente, como também o corpo físico. Você sente intenso calor no cérebro, o que desiquilibra o sistema nervoso. Por que se deixar contagiar pelo ódio de quem o golpeou? Por que perturbar sua paz mental? É melhor poder dizer: 'Estou feliz comigo mesmo porque, apesar de seu gesto violento, não lhe fiz nenhum mal e lhe desejo o bem'. Embora seja mais fácil pagar a bofetada com outra, lembre que os efeitos colaterais dessa reação - perda da paz de espírito e distúrbios fisiológicos - não valem a momentânea satisfação de vingança. Quando você evita a retaliação, descobre que também consegue acalmar o inimigo, ao passo que, se devolver o golpe, só exaltará mais os ânimos.

Portanto, estar no comando das emoções é importante para a felicidade. Deste modo, ninguém poderá deixá-lo zangado nem tirá-lo do sério. Nesse estado de consciência, ninguém consegue desafiá-lo. Você está seguro. Já fez experiências com seus pensamentos e conhece o tesouro de paz que existe em seu interior." 

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship, 2013 - p. 40/41
www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/romance-com-deus.html


terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

RELIGIÃO UNIVERSAL

"Unidade na diversidade é o plano do universo. Como homem, você está separado do animal; como seres vivos, homem, mulher, animal e vegetal, são todos um; e como existência, vocês são unos com o universo. Esta existência universal é Deus, a Unidade suprema do cosmos. Nele somos todos um. Ao mesmo tempo, no plano da manifestação, as diferenças devem sempre permanecer. 

O que nos faz criaturas com uma determinada aparência? A diferenciação. O equilíbrio perfeito seria nossa destruição. Suponha que a quantidade de calor nesta sala, cuja tendência é manter-se em difusão igual e perfeita, atinja esse ponto; o calor praticamente deixaria de existir. O que torna possível o movimento no universo? O equilíbrio perdido. A unificação da igualdade só poderá produzir-se por meio da destruição do universo, caso contrário, impossível. Além do mais, seria também perigoso. Não devemos desejar que todos pensem do mesmo modo; não haveria mais pensamentos para pensarmos. É justamente esta diferença, esta desigualdade, este desequilíbrio entre nós que constitui a verdadeira alma do nosso progresso e pensamentos. É preciso que seja sempre assim.

Então, qual é, a meu ver, o ideal de uma religião universal? Não há de ser uma filosofia universal, nem uma mitologia única, nem um mesmo ritual ecumênico, comum a todas as religiões porque sei que este mundo, esta massa intrincada de mecanismos excessivamente complexos e espantosos, deve prosseguir funcionando com todas as engrenagens. Que podemos nós fazer?

Podemos fazer com que funcionem suavemente, diminuindo a fricção, lubrificando as engrenagens, por assim dizer. Como? Reconhecendo a necessidade natural de diferenciação. Assim como por nossa própria natureza reconhecemos a unidade, também devemos aceitar a diversidade. Precisamos aprender que a verdade pode ser expressa de milhares de modos igualmente legítimos. A mesma coisa pode ser vista de cem diferentes perspectivas e ainda continuar a ser ela mesma. (...)"

(Swami Vivekananda - O Que é Religião - Lótus do Saber Editora, 2004 - p. 29/30)
http://www.lotusdosaber.com


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A VERDADEIRA RELIGIÃO

"O sofrimento existe desde tempos imemoriais, sob a forma de pobreza, ignorância, solidão, falta de amor, etc. Haverá um estado de sabedoria na qual a humanidade possa ser feliz? Em todas as eras, pessoas profundamente religiosas inquiriram a respeito disso.

As instituições e os sistemas religiosos enfatizam rituais, formas de adoração e obediência ao clero, muitas vezes ignorando os verdadeiros valores da religião. No entanto, todo instrutor religioso genuíno foi um reformador, libertando as mentes ignorantes das práticas convencionais rígidas e inspirando-as a inquirir a respeito do mistério da vida, seu propósito e significado. 

A religião, no seu verdadeiro sentido, deve libertar as pessoas da superstição e do sofrimento, e não escravizá-las com ideias prontas e hierarquias. Ao retirar das religiões os dogmas e as supertições e atingir o âmago de seus ensinamentos, constata-se que a essência é o amor universal, baseado no conhecimento de que a vida é indivisível.

As religiões não devem ser aceitas como são apenas porque essa é a atitude mais fácil; elas devem ser examinadas criticamente para avaliarmos se criam inimizades e conflitos ou se unem as pessoas com abordagens de tolerância e boa vontade. Ajoelhar-se ou permanecer de pé para orar, cobrir ou não a cabeça são questões individuais que nada têm a ver com a verdadeira religiosidade.

O ser humano se caracteriza pelo desejo de compreender a vida. Se apenas comesse, dormisse e se multiplicasse, mal poderia ser chamado de humano, já que todas as criaturas fazem isso. A mente se estagnaria se ninguém tivesso o ímpeto de penetrar nas profundezas do significado da existência do homem e do universo. Felizmente sempre existiram corações desbravadores que buscaram a verdade, mesmo quando perseguidos e queimados na fogueira. 

Atualmente os mais graves problemas do planeta são os conflitos armados e a destruição do meio ambiente. Simultaneamente ao progresso da ciência, desenvolveu-se uma atitude de conquista, controle e exploração da natureza. A humanidade chegou ao ponto de 'brincar de Deus' para usar a frase de Jeremy Rifkin. Mas a ciência também está compreendendo que quanto mais o universo é explorado, maior se torna a dimensão desconhecida, não apenas no nível material, mas também nos campos sutis do espirito. Por trás de tudo que está manifestado e perceptível existe o intangível e o inexplicável. Grandes espíritos que experienciaram o mistério do desconhecido, como Einstein, puderam compreender a reverência que exala da mente religiosa.

Segundo os taoístas, o Tao (o Supremo) não pode ser ouvido; o que pode ser ouvido não é o Tao. O Tao não pode ser visto; o que pode ser visto não é o Tao. Os Upanishads e outras escrituras dizem o mesmo: existe uma dimensão de existência que está além do nosso alcance. Nunca vamos conhecê-la plenamente; podemos apenas fitá-la e admirar o ilimitado e vasto poder criativo da vida. 

Obviamente a mente finita não pode conhecer o infinito. Isso está indicado no Bhagavad-Gita, quando Krishna diz que não existe fim para o mistério Divino. Somente quando a mente se liberta de seu estado finito e torna-se una com a vasta harmonia da vida pode haver iluminação. Esse estado não vem quando se é um erudito nas escrituras ou se recebe um título numa instituição religiosa. Se as pessoas que seguem sistemas religiosos se tornassem verdadeiramente religiosas, incapazes de ganância, violência e egoísmo, não haveria mais guerras.

Outro grande problema atual é o consumismo e a insensibilidade em relação ao valor e à dignidade dos seres vivos. É necessário um profundo respeito por cada forma de vida para reverter a maré de consumismo que destrói os recursos e a diversidade do planeta.

É essencial que nossos valores mudem, mas não em razão do que uma sociedade ou um sistema religoso diz. Os valores surgem a partir do sentimento de uma existência una e inter-relacionada, que faz nascer a gentileza e a não violência. Se nós não conseguimos amar o pequeno animal, o pássaro, o peixe ou a planta, como podemos amar a Deus, que é a fonte de toda a vida?

Temos que aprender a ser como criancinhas que experimentam maravilhas, cujas mentes não têm preconceitos e que não sabem o que é ser possessivo. Esse é o verdadeiro despertar religioso, que envolve abrir mão dos próprios interesses por amor aos outros, sem preconceitos, de modo que a mente seja ampla, tolerante e sensível."

(Radha Burnier - A verdadeira religião - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p.20/21)


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

GRATIDÃO

"Quando falamos em gratidão as primeiras coisas que vêm a mente é agradecer alguém que nos fez um favor e ajudou de alguma forma ou ainda agradecer através de uma reza ou oração.

No entanto, gradidão é muito mais que isso. A gratidão é uma ferramenta poderosa para realizar transformações em nossas vidas. Estudos apontam que ao praticar a gratidão você terá melhorias no seu humor, nos relacionamentos interpessoais e até nas finanças. A gratidão também ajuda a ter uma saúde melhor, combatendo a depressão e evitando picos de ansiedade e nervosismo.

Gratidão tem a ver com crenças ou religião. Tem a ver com psicologia. Ela é uma mudança de postura e pensamentos. E isso que serve para qualquer um, basta praticar. 

Durante nossas vida, recebemos uma cota de problemas e bênçãos. Ao analisarmos friamente, os números de coisas boas ou ruins que enfrentamos durante toda nossa existência são parecidos entre todos nós. Eu, você, seu amigo que tem uma vida perfeita nas redes sociais: todos enfrentamos problemas diariamente e todos recebem coisas boas com a mesma frequência. Ou seja, não existem pessoas que atraem problemas. Não existe aquela pessoa que tem 'dedo podre' e tudo de ruim acontece apenas com ela. O que nos diferencia é a forma de lidarmos com essas situações. 

Pensando nessa cota de problemas e bênçãos, reflita: você gasta mais tempo com as coisas ruins ou desfruta mais as coisas boas? Fazendo uma analogia com uma metáfora famosa: para você o copo está meio cheio ou meio vazio? Isso pode parecer bobo, mas esse pensamento pode mudar completamente a sua vida.

Stephen Covey, escritor do best-seller Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes tem uma teoria bem simples chamada de princípio dos 90/10. De todas as coisas que acontecem em nossas vidas, apenas 10% não estão sob nosso controle. Não temos como controlar se está chovendo ou fazendo sol, se o trânsito está bom ou ruim ou se o cachorro do vizinho uivou durante a madrugada. No entanto, nossa reação sobre essas coisas define, nosso modo de viver, junto com os outros 90% de coisas que podemos controlar. (...)"

(Rodrigo Filla - Vertical - Julho/Agosto/Setembro/Ano 7/número 28)


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

UNIDADE NA DIVERSIDADE

"Somos todos seres humanos, mas alguns são homens e outros, mulheres. Aqui um negro, ali um branco, mas todos pertencemos à espécie humana. Nossas faces diferem, não vejo duas iguais, mas somos todos seres humanos. Onde está essa humanidade da qual nós fazemos parte? Vejo um homem ou uma mulher, de pele clara ou escura. Entre todas essas faces, sei que há uma humanidade abstrata, comum a todos. Posso não encontrá-la quando a procuro perceber, sentir e realizar, mas estou certo de que existe. Se há alguma coisa de que tenho certeza é esta natureza humana que temos em comum. Mediante a extensão desse conceito eu os vejo como homem ou mulher. 

Assim acontece com essa religião universal, que passa através de todas as diversas religiões sob a forma de Deus, que existe e perdura por toda a eternidade. 'Sou o fio que atravessa todas as pérolas', sendo cada pérola uma religião ou seita que dela derivou. Assim apresentam-se as diferentes pérolas, e o Senhor é o fio que as une, embora a maioria dos homens esteja inteiramente inconsciente disso.

Unidade na diversidade é o plano do universo. Como homem, você está separado do animal; como seres vivos, homem, mulher, animal e vegetal, são todos um; e como existência, vocês são uno com o universo. Esta existência universal é Deus, a Unidade suprema do cosmos. Nele somos todos um. Ao mesmo tempo, no plano da manifestação, as diferenças devem sempre permanecer.

O que nos faz criaturas com uma determinada aparência? A diferenciação. O equilíbrio perfeito seria nossa destruição. Suponha que a quantidade de calor nesta sala, cuja tendência é manter-se em difusão igual e perfeita, atinja esse poeliginto; o calor praticamente deixaria de existir. O que torna possível o movimento no universo? O equilíbrio perdido. A unificação da igualdade só poderá produzir-se por meio da destruição do universo, caso contrário é impossível. Além do mais, seria também perigoso. Não devemos desejar que todos pensem do mesmo modo; não haveria mais pensamentos para pensarmos. É justamente esta diferença, esta desigualdade, este desequilíbrio entre nós que constitui a verdadeira alma do nosso progresso e pensamentos. É preciso que seja sempre assim. 

Então, qual é, a meu ver, o ideal de uma religião universal? Não há de ser uma filosofia universal, nem uma mitologia única, nem um mesmo ritual ecumênico, comum a todas as religiões porque sei que este mundo, esta massa intrincada de mecanismos excessivamente complexos e espantoso, deve prosseguir funcionando com todas as engrenagens. Que podemos nós fazer?

Podemos fazer com que funcionem suavemente, diminuindo a fricção, lubrificando as engrenagens, por assim dizer. Como? Reconhecendo a necessidade natural de diferenciação. Assim como por nossa própria natureza reconhecemos a unidade, também devemos aceitar a diversidade. Precisamos aprender que a verdade pode ser expressa de milhares de modos igualmente legítimos. A mesma coisa pode ser vista de cem diferentes perspectivas e ainda continuar a ser ela mesma. (...)"

(Swami Vivekananda - O Que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 28/30)


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

LIBERDADE E MORAL (PARTE FINAL)

"Para refletirmos sobre a liberdade, Rohit Mehta, em seus comentários aos Yoga Sutras de Patañjali (Yoga, Arte de Integração, Ed. Teosófica), faz uma distinção entre o esforço humano e a expressão espontânea da experiência espiritual. Ele diz: 'Neste ponto o Yoga difere completamente da vida considerada no sentido do empenho moral ou religioso. Em uma vida religiosa, construída sob princípios morais, o esforço humano é o começo e a finalidade.' Por outro lado, ele afirma: 'O homem espiritual possui uma moralidade de natureza elevada e profunda. É natural e espontânea. Não é uma moralidade onde o pensamento busca ser traduzido em ação. Ao invés disso, é uma moralidade que se encontra na natureza de uma expressão da experiência profundamente sentida.'

A reflexão de Mehta mostra que a moral social, mesmo sendo necessária, é provisória e pode tornar-se mecânica e opressiva quando não é oxigenada como um caminho que leva a uma experiência real do ser espiritual, o verdadeiro Eu. Nesse caminho, as regras servem como o mapa da viagem e nos indicam a direção, mas não nos prendem em sua forma, e o seu conteúdo se atualiza e se aprofunda conforme crescemos em consciência ao nos aproximarmos do Ser. Segundo a visão do Yoga, as pessoas são mais ou menos morais conforme mais espessa ou mais fina for a camada egoica que as separam do seu Eu espiritual. O propósito do Yoga é eliminar essa camada egoica, e a ética funciona como uma ferramenta para isso. Depois da realização do ser, no entanto, a moral espiritual é a expressão livre, natural e autêntica daquele que não fará mal ao outro porque sente que o outro é ele mesmo. 

Enfim, a outra via do problema da moral é: conhece-te a ti mesmo. Pois o verdadeiro Eu é o Ser que habita todas as coisas; aquele que, por não querer ferir o seu eu, não será capaz de ferir ninguém, independentemente de regras externas. Da mesma forma isso se dá com o fazer o bem, e ilustra as palavras de Jesus, que se sentia uno com toda a criação: 'Todas as vezes que deixastes de fazer a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer."

(Cristiane Szynwelski - Liberdade e moral - Revista Sophia, Ano 18, nº 86 - p. 22)


terça-feira, 24 de novembro de 2020

LIBERDADE E MORAL (1ª PARTE)

"Proíba-se e liberte sua alma - assim disseram as religiões. Mas como ser livre andando nos trilhos do permitido e proibido? É como sentir dor e ter que sorrir ao mesmo tempo. Tomar remédio amargo em vida em troca do néctar após a morte. Mas e se tudo acabar com a morte? 'Largue isso', disseram alguns filósofos; 'religião é opressão'. E muita gente acreditou. 

Depois dessa suposta libertação, perguntemos a nós mesmos, mas sejamos honestos: realmente estamos livres? Pense comigo: o que é ser livre? É fazer o que se quer? Por exemplo, se eu precisar de atendimento médico e for a um hospital, e todos lá fizerem só o que quiserem, talvez ninguém queira me atender. Então volto a perguntar: é possível sentir-se livre em uma sociedade assim?

Você pode me dizer: posso fazer só o que quero e livremente serei solidário e farei o bem. Mas quem garante que o outro fará? E o bem que cada um faz, ou pensa que faz, é bom na opinião de quem? Então precisamos de leis, baseadas em consenso, e, como as leis não podem regular tudo, precisamos de ética, prescrições morais. Assim, voltamos às religiões.

Podemos andar em círculos, da moral, da religião, para a quebra dos padrões de conduta, e depois voltar, sucessivamente. Ou podemos procurar outra via. Se você tem um filho, por exemplo, o qual você ama, diga-me: você o trata bem para cumprir a legislação ou um código de ética, ou porque o bem-estar dele repercute no seu próprio bem-estar? A maioria das pessoas vai responder que é sensível às condições dos filhos e parentes, mas talvez nem todas elas tenham a mesma sensibilidade com a situação dos 'outros'. Na verdade, todos nós queremos viver onde os outros estão bem, mas não nos damos conta disso. Quando estamos distraídos com o nosso próprio sofrimento, não vemos nada, mas quando estamos felizes, percebemos que a nossa alegria não consegue se expandir quando os próximos estão tristes. Se somos ricos, nos sentimos ameaçados com a falta de segurança, e então desejamos morar em um país onde todos são prósperos. No entanto, não refletimos sobre isso. Somos capazes de sentir fome, portanto sabemos que precisamos comer, mesmo não havendo normas que tornem a alimentação obrigatória. Mas como não percebemos o quanto as condições dos outros nos afetam, não sentimos que precisamos de códigos de conduta para o convívio em sociedade. Pois o nosso sentimento de unidade com o resto da vida ainda não está desenvolvido como a fome. Porque temos consciência do corpo, mas não temos consciência do verdadeiro Eu. (...)"

(Cristiane Szynwelski - Liberdade e moral - Revista Sophia, Ano 18, nº 86 - p. 22)


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

A ACEITAÇÃO DAS RELIGIÕES

"Há várias gradações mentais. Talvez você seja racionalista, cheio de bom senso e espírito prático, e não se interesse por ritos e cerimônias. Você quer fatos intelectuais rigorosos e relevantes para convencer-se. Os puritanos e muçulmanos também não admitem imagem ou estátua no recinto de culto. Muito bem. Entretanto, outra pessoa tem um temperamento mais artístico. Deseja cercar-se de arte - a beleza de linhas e curvas, cores, flores, cerimônias; quer velas, luzes e todos os símbolos e acessórios ritualísticos para que possa ver Deus. A mente dessa pessoa apreende Deus por essas formas, enquanto a sua o apreende por meio do intelecto. Há também o homem piedoso; sua alma chora por Deus, a quem ele só pensa em adorar e glorificar. E há ainda o filósofo, que se mantém à parte e de todos zomba. Ele pensa: 'Como são absurdas as ideias que eles fazem de Deus!'

Eles podem rir uns dos outros, mas cada um tem seu lugar no mundo. A diversidade de mentalidades e a variedade de temperamentos são necessárias. Se algum dia existir uma religião ideal deverá ser bastante nobre e ampla para suprir todas essas mentes. Oferecerá ao filósofo a força da filosofia, ao adorador de Deus o coração piedoso, ao ritualista tudo o que o simbolismo mais maravilhoso pode transmitir, ao poeta tanta emoção quanto ele pode aguentar, e assim por diante. Para criar essa religião ampla, teremos de voltar aos primórdios das religiões e adotá-las todas. 

Nossa palavra de ordem será então aceitação e não exclusão. Não apenas tolerância, pois esta suposta tolerância geralmente é um insulto, e não estou de acordo com ela. Acredito em aceitação. Por que deveria eu tolerar? Tolerância significa que acho que você está errado e estou apenas permitindo que exista. Não é uma blasfêmia pensar que você e eu estamos consentindo que os outros vivam? Aceito as religiões do passado e presto culto a Deus em todas elas: juntamente com cada uma, adora a Deus na cerimônia ou rito que usarem. Entrarei na mesquita do muçulmano; entrarei na capela do cristão e ajoelhar-me-ei ante o crucifixo do altar; entrarei no templo budista onde me refugiarei em Buda e sua Lei. Entrarei na floresta e sentarei em meditação com o hindu que está tentando ver a Luz que ilumina o coração de cada ser. 

Não só farei isso, mas conservarei meu coração aberto para tudo o que vier no futuro. O livro de Deus está terminado ou é uma constante e contínua revelação? É um livro maravilhoso - as revelações espirituais do mundo. A Bíblia, os Vedas, o Alcorão e todas as escrituras sagradas são apenas algumas páginas de um número sem fim que ainda resta para folhear. Eu o deixaria aberto para todos. Vivemos no presente, porém estamos abertos para o futuro infinito. Acolhemos o passado, desfrutamos da luz do presente e abrimos todas as janelas do coração para o tempo que há de vir. Saudações aos profetas antigos, aos grandes seres da nossa época e aos que virão no futuro!"

(Swami Vivekananda - O que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 23/24)


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

UMA LIÇÃO DA LEI

Resultado de imagem para UMA LIÇÃO DA LEI"Essa é a grande lição ensinada pela ciência à atual geração. De há muito, muito tempo, as religiões ensinaram isso dogmaticamente mais do que racionalmente. A ciência prova que o conhecimento é a condição da liberdade e que só quando o homem tiver conhecimento é que poderá se impor. O homem da ciência observa as sequências. Realiza repetidamente os testes de sua experiência e elimina tudo o que é casual, colateral, irrelevante. E devagar, com segurança, descobre o que constitui uma invariável sequência causativa. Uma vez seguro dos fatos, age com certeza indubitável, e a natureza, sem sombra de recuo, recompensa com o sucesso a racionalidade da sua segurança.

Dessa segurança nasce a 'sublime paciência do pesquisador'. Luther Burbanker, na Califórnia, semeará milhões de sementes, selecionará alguns milhares de plantas, cruzará algumas delas, e assim marchará, pacientemente, para os seus fins. Ele pode confiar nas leis da natureza, e, se falhar, saberá que o erro partiu dele, não delas. 

Há uma lei da natureza que dá às massas de matéria a tendência de mover-se na direção da terra. Deveria eu dizer, então 'Não posso subir escadas? Não posso voar no ar?' Não. Há outras leis. Eu oponho à força que me prende ao chão uma outra força armazenada em meus músculos, e, por esse meio levanto o meu corpo. Uma pessoa cujos músculos estejam enfraquecidos pela febre pode ter de ficar no chão, indefesa. Eu, porém, rompo essa lei, conclamo a força muscular e subo as escadas.

A inviolabilidade da Lei não retém - a Lei liberta. Ela torna a Ciência possível e racionaliza o esforço humano. Num universo sem lei, o esforço seria vão, a razão seria inútil. Seríamos selvagens, tremendo sob o aperto de forças estranhas, incalculáveis onde o hidrogênio é agora inerte, mas logo mais se tornará explosivo, em que o oxigênio proporciona vida hoje e sufoca amanhã! Num universo sem lei não ousaríamos fazer um só movimento, pois não saberíamos qual seria a ação que ele iria provocar. Nós nos movemos com segurança, é verdade, porque contamos com a inviolabilidade da lei,"

(Annie Besant - Os Mistérios do Karma e a sua Superação - Ed. Pensamento, São Paulo, 2010, p.37/38)www.pensamento-cultrix.com.br


terça-feira, 5 de novembro de 2019

UMA ÉTICA GLOBAL

Resultado de imagem para UMA ÉTICA GLOBAL"Em Chicago houve uma reunião do programa do Parlamento das Religiões do Mundo, com líderes religiosos e espirituais de muitas tradições. O objetivo era a declaração a respeito de 'Uma Ética Global', expressando a preocupação em estabelecer valores essenciais para a sobrevivência do mundo. Foi assinalado que, se as atuais políticas continuassem, o mundo no século XXI seria mais povoado, mais poluído, menos estável econômica e ecologicamente e mais vulnerável a uma ruptura violenta.

Os princípios éticos defendidos incluíam tratamento humanitário para todas as pessoas, uma cultura de não violência, justiça e tolerência, e o comprometimento com a igualdade. Afirmou-se que uma nova ordem global não pode ser impingida por leis e convenções apenas, mas nascer nos corações e nas mentes das pessoas.

Líderes religiosos e espirituais têm uma enorme responsabilidade. Eles podem inspirar seus seguidores e fazer com que suas tradições dsempenhem papel essencial na cura da Terra, pela promoção de atitudes de tolerância, amor e altruísmo, construíndo um futuro verdadeiramente benéfico para a humanidade.

Porém, devemos notar que a moralidade decai quando são erradas as suposições básicas a respeito da vida na mente das pessoas. Um ensinamento ético profundamente valioso já existe em todas as religiões - suficiente para elevar a consciência a um alto nível de harmonia interior e de sintonia com o mundo. Mas uma filosofia de vida válida e uma visão de mundo correta também devem ser ensinadas, juntamente com a reiteração de princípios éticos.

No momento atual, de fortes pressões e desafios (inclusive o enorme crescimento da população), é essencial uma perspectiva filosófica que apoie e racionalize a instrução ética. O ensinamento de Jesus - fazer aos outros o que gostaria que fizessem contigo - parece logicamente correto, à luz de uma filosofia fundamentada na indivisibilidade da existência.

É importante também que os ensinamentos morais sejam reforçados por conceitos corretos a respeito do que o ser humano é e como seu futuro será moldado. As religiões que ensinam que há apenas um curto período de vida para a pessoa provar que é virtuosa estão assentando a base para a desobediência. A crença numa única vida faz com que o homem médio viva de maneira gananciosa; o medo da morte e a ameaça da danação eterna inculcam uma feroz luta pela vida.  

Uma ética global com um padrão de conduta independente de filiações religiosas é necessário para evitar que o século XXI se torne pior que o século XX. Também é necessário ensinar às pessoas uma filosofia em que a ação ética se torne natural para o homem."

(Radha Burnier - Viver com ética - Revista Sophia, Ano 16, nº 74 - p. 14/15)


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A ESTRADA PARA O INFINITO (PARTE FINAL)

"(...) 'A autorrealização é a eterna mensagem da religião. Independentemente de quais sejam as suas crenças e práticas, o propósito fundamental da religião é ajudá-lo a dar vazão ao seu potencial mais pleno, na condição de filho de Deus.

'A onda tem de compreender que a sua realidade, como uma simples onda, é efêmera. Ela talvez surja repetidas vezes na forma de outras ondas, porém, ao fim e ao cabo, ela terá de compreender que a sua realidade não está na sua condição individual de onda, mas no oceano do qual ela é uma manifestação. A compreensão dessa verdadeira identidade requer que ela mergulhe no oceano e que se torne uma coisa só com ele. 

'Suponhamos que um judeu se converta ao Cristianismo. Ele para de ir à sinagoga e, em vez disso, vai à igreja. O simples fato de sua conversão lhe assegura, por acaso, a salvação? Não, se ela ao mesmo tempo não faz com que ele ame a Deus mais profundamente.

'A religião não é uma roupa que você possa vir a usar exteriormente, porém as vestes de luz que você tece em torno do coração. Por roupa exterior não entendo a sua indumentária física apenas, mas os pensamento e as crenças que o envolvem. Eles não são você. Descubra quem você é debaixo desses adornos exteriores, e você descobrirá quem foi Jesus, Buda e Krishna. Pois os mestres vêm à Terra com o objetivo de apresentar a todo homem um reflexo do seu Eu mais profundo e eterno."

(Paramhansa Yogananda - A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, 2010 - p. 126)


terça-feira, 27 de agosto de 2019

A ESTRADA PARA O INFINITO (1ª PARTE)

"'Qual é a melhor religião?' perguntou um buscador da Verdade.

'A autorrealização', respondeu Yogananda.

'Com efeito, a autorrealização é a única religião. Pois ela é o verdadeiro objetivo da religião, independentemente de como as pessoas definam a religião delas. Uma pessoa pode ser cristã ou judaica, budista ou hindu, maometana ou zoroastrista, pode afirmar que Jesus Cristo é a única via, ou que Buda e Maomé são o único caminho - como o fazem, na verdade, milhões de crentes. A pessoa pode insistir em que determinado ritual ou lugar de adoração promovem a salvação; mas tudo se resume no que a pessoa é em si mesma.

'Milhares de Cristos não seriam capazes de levar Deus a você, caso você primeiro não demonstrasse amor a Ele.

'Por que deveria Deus se preocupar com o modo como você O define? Poderia algum dogma abarcar Deus, que é tudo, muito mais do que tudo? E será que você não sabe que um muçulmano ou um hindu que ame a Deus é tão caro a Jesus Cristo quanto qualquer outro cristão - e muito mais admirado por Ele do que os que estão entre os Seus seguidores e que acreditam em Deus com as suas mentes, mas que não têm amor por Ele nos seus corações?

'Jesus Cristo não veio à Terra, tampouco nenhum grande mestre, a fim de levar as pessoas até Ele. Veio para as levar até a Verdade - a Verdade que, segundo Ele disse, 'libertar-vos-á'*. A mensagem divina sempre é impessoal na medida em que se relaciona com essa Verdade. 

'Ao mesmo tempo, ela é pessoal na relação que mantém com o buscador individual. Isto é, os mestres não dizem às pessoas: 'Você será salvo pela religião que segue, exteriormente.' Os mestres dizem a essas pessoas: 'Você será salvo pelo que você faz, pessoalmente, para afirmar sua semelhança com Deus.' (...)"

* João 8:32

(Paramhansa Yogananda - A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, 2010 - p. 125/126)